Estamos sendo governados pelo Pedro de Lara?

Pedro de Lara, para quem não conhece, era um jurado do programa Sílvio Santos que se autodenominava "bastião da moral e dos bons costumes".

Independentemente da qualidade do show o que interessava para ele era se havia algum trejeito ofensivo, algum excesso de modernidade ou algo que pudesse ser mal interpretado pelas crianças e jovens que assistiam à TV.

O platéia reagia aos uivos. Xingava o jurado, jogava coisas, mas amava a figura dele.

Esta dialética de Amor Odioso ou Ódio Amoroso é muito parecida com a relação que vejo hoje nos defensores do governo e de seus personagens caricatos.

Do ponto de vista comportamental o presidente atual se estabelece nesta tênue linha entre o Amor e Ódio de seus admiradores.

Ele não é um herói que veio salvar o mundo, está mais para o Didi Mocó vestido de Super Homem do que para o próprio Super Homem.Há um certo tom patético em sua figura. Mas sem o carisma de Didi, e com a ambiguidade essencial de Pedro de Lara.

Pedro de Lara não tinha máscaras sociais. O seu personagem exalava de maneira caricata tudo aquilo que muitas das pessoas da platéia pensavam em sua intimidade, mas tinham vergonha de expressar.

Se por um lado é libertador para as pessoas poderem Amar uma figura como esta (Pedro de Lara ou Bolsonaro, tanto faz) por outro lado o gatilho para Odiar estas figuras está ali ao lado, perigosamente.

Há um sério risco de que nosso governante passe de amado a odiado em instantes, o que poderia gerar uma convulsão social ainda maior do que já passamos no momento de hoje.

E isto não depende de um pensamento crítico que venha da oposição ou dos meios de comunicação. Depende inerentemente da figura em si, que traz estas duas intensas pulsões dentro de si.

Para finalizar, o trecho em que Bolsonaro canta o hino brasileiro "Ouviram do Ipiranga às margens flácidas"

pesquisador do comportamento humano, tendências e arte

pesquisador do comportamento humano, tendências e arte