Evite falar mal do Presidente

Não divulgue nada sobre o sujeito e ele se tornará menor. Entenda:

Todos os absurdos que o presidente do Brasil realiza são Testes de Relevância. Desde sua época como figura exótica nos programas de televisão, Bolsonaro consegue espaço na mídia através da polêmica.

Ou como diria Mick Jagger nos anos 1980:

Se minha foto está na capa do jornal tanto faz o que está escrito na página 54.

Muitas pessoas ficam confusas, perplexas, com raiva das ações e pronunciamentos absurdos, prepotentes e fóbicos. E querem externar sua revolta através das redes sociais. Não faça isto.

Boa parte da relevância do atual presidente vem daí, de gente replicando sua imagem. Tanto faz se a favor ou contra.

Nosso impulso emocional de mostrarmos o absurdo que ele é só aumenta sua relevância, e ele sabe disto. Pode ser burro, tosco, o que quiserem, mas sabe bem que quanto mais imbecilidades e atrocidades falava em programas como finado CQC mais davam espaço para ele falar.

Minha irmã uma vez me ensinou: Krishna diz que não devemos combater o mal. Quanto mais batemos nele, maior ele se torna.

Toda reatividade ao presidente é uma manifestação da sua relevância. Que está diminuindo entre seus seguidores, mas aumentando nos seus opositores.

Hoje é mais fácil você ouvir alguém falando mal dele do que bem. Mas continuar falando mal significa que ele ainda têm relevância no espaço público.

Tirando a meia dúzia de pessoas com transtornos variados que saem nas ruas movidas pelo ódio que ele destilou, quem mais fala dele? As pessoas que o rejeitam, nas redes sociais.

Assim ele continua pautando toda a mídia e debate político e social. Para quem não lembra não faz nem uma semana que ele demitiu o único ministro que aparentava sensatez, o da Saúde. Demitiu no meio de uma pandemia global, pois o "ministro só pensava na saúde e nas pessoas". Já tinha esquecido? É porque o presidente e seu gabinete do ódio definem o que vai ser debatido, fez umas sandices no final de semana e jogou Mandetta no esquecimento.

Enquanto estivermos reverberando as suas atrocidades ele continuará vivo.

Sugiro a todos que parem de divulgar qualquer coisa sobre esta pessoa, qualquer notícia, por mais escabrosa que seja.

Se todos deixarmos de falar, ele retornará à sua insignificância original.

Nem precisamos nos preocupar com o que ele irá dizer ou fazer, os governadores e prefeitos já estão alinhados, realizando a contento (salvo raras exceções) aquilo que é necessário para termos uma ordem mínima.

Sem reverberação nas redes sociais o presidente também não conseguirá fazer passar nenhum ponto polêmico de alteração das leis, o Congresso está de olho e relativamente coeso, mesmo com todos os seus problemas. Até o STF está unido.

Basta esquecermos o sujeito que ele desaparece.

Na Grécia Antiga a Democracia funcionava diferente de hoje. Os cidadãos votavam em um nome que seria seu líder e também votavam em quem deveria passar dez anos no exílio. A isto davam o novo de Ostracismo.

Deixemos o presidente no Ostracismo, e sigamos nossa vida. É o melhor ensinamento que podemos conseguir diante deste caos.

PS — Cá entre nós, se vc é pai já sabia disto. O que você deve fazer quando uma criança pequena começa a fazer birra? Ignorá-la. Simples assim.

pesquisador do comportamento humano, tendências e arte

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