O CEO hoje anda de Bicicleta (alugada)

A degradação do empreendedorismo no Brasil

Ele é jovem, é empreendedor, busca crescer no mercado e quer trabalhar. Ou melhor, precisa trabalhar, mas as vagas não se abrem facilmente. Ou por falta de emprego, ou por falta de qualificação, talvez por não preencher os requisitos para entrar numa empresa por sua origem ou etnia.

No começo dos anos 2000 eu fui consultor do SEBRAE, e o termo Empreendedorismo estava no seu auge. Todos queriam ensinar e aprender empreendedorismo. Queriam colocar nas escolas. Todo jovem seria empreendedor um dia.

E isto com certeza se concretizou, mas de uma maneira inimaginável para aquela galera que investia o que tinha e o que não tinha para abrir uma pequena empresa.

Os cargos misteriosos foram se tornando cada vez mais complexos, até que chegamos aos limites de "Guru", "Chefe de Transcendência" e outras curiosidades do gênero.

Lembrei deste assunto quando liguei para uma empresa pequena de contabilidade e o atendimento eletrônico atendeu:

  • XYZ Contabilidade, para falar com o Departamento Jurídico, disque 1, para Departamento Comercial, disque 2…. para falar com a Diretoria, disque 5…

Na hora visualizei aqueles jovens de vinte e poucos anos ao redor de uma mesma mesa, cada um com seu laptop e seu terno da Colombo e um telefone Panasonic amarelado.

Já o pessoal mais descolado virou biker, andando entre os ônibus e arriscando a vida nos faróis. Sem direitos, sem dinheiro, sem chances, apenas empreendendo.

Sou um empreendedor inesperado, me descobri empreendedor. Sempre invento alguma coisa, quem me conhece sabe disto. E nem sempre eu me dou bem, mas a invenção é cotidiana.

E nem todos são, aprendi a duras penas. Tem gente que nasceu para ser funcionário, botar uma roupa genérica, ganhar uma grana fixa e ter, essencialmente, rotina.

Garanto que 90% dos empreendedores de bike nunca sonharam em sobreviver num ambiente tão hostil quanto o que eles estão. Não só hostil, mas essencialmente estéril.

Hoje estamos vendo um bando de pobres coitados, desesperados tentando levar 50 reais para casa ao final do dia. Uma boa maneira de destruir de vez uma geração e manter a boa e velha elite dentro dos mesmos postos, nos mesmos locais, ganhando sempre…

pesquisador do comportamento humano, tendências e arte

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