Quem é o General desta Guerra?

Os peões caem mas o projeto vai para a frente

Em pouco mais de 11 meses praticamente todas as instituições foram seriamente abaladas. A ciência e tecnologia foi desqualificada, com o diretor do INPE sendo colocado para correr por apresentar dados que não interessariam aos que tomaram o poder. Seguindo esta lógica, se os números vão contra o que eu penso basta mudar os números que tudo estará bem.

As outrora respeitadas universidades federais estão sob desmonte. Minha filha estuda numa delas e me contou que o reitor chamou todos os alunos para conversar pois o governo federal vai cortar 40% da verba destinada ao ano que vem, e os alunos não sabem se ela irá fechar ou não.

O ministro da educação da vez (que daqui a pouco vai cair, e foi o estopim para esta reflexão) declara absurdos e desqualifica as universidades públicas sem nenhum pudor. Veja:

Para os que acham que ele não sabe o que está falando, ele sabe sim. Ele fala para as pessoas que nunca entraram numa faculdade pública, e que levarão a sério sua mensagem pois "se é o ministro que está falando, então deve estar certo". Ele não fala para você, que já cursou ou já esteve em um ambiente como este. Ele embasa o desenvolvimento de fake news, dá a chancela necessária para a desqualificação destas instituições como potenciais interlocutoras da sociedade.

Mas ele vai cair, ou provavelmente já caiu. Como o ministro do meio ambiente também irá cair, depois de ter defendido que a Amazônia não está diminuindo e que não há queimadas por lá. E que o vazamento de petróleo misterioso não teria sido um desastre ambiental. Ele serviu muito bem ao propósito, foi até as praias poluídas e fez pose com instrumentos técnicos simulando ter alguma ideia do que está acontecendo.

Podemos incluir praticamente todos como peões neste jogo, como o ministro da economia. Já conseguiu a reforma da previdência, depois de vender montes de estatais entra na fila de descarte.

Até o próprio presidente pode ser descartado. Se pararmos para pensar, tanto faz qual peão caia, contanto que o projeto siga em frente. O que vale é dar sustentação à mudança.

Este modelo de tática foge completamente dos modelos de governo dos últimos 30 anos. É tática de guerra. Nos últimos tempos a palavra de ordem era fazer alianças (daí o MDB e a lambança). Hoje é conquistar terreno. Pense nisto.

Cada um tem uma função, e sem que ninguém saiba, todos são incumbidos de matarem o que já realizou sua missão.

Quando o assalto acaba, todos os assaltantes estão mortos. Caíram na batalha mortos pelos próprios colegas. Sobra só um dos palhaços: aquele que arquitetou a missão. Nem preciso dizer o nome dele, ou preciso?

A única coisa que não fecha na equação é que todos são peões de alguém, incluindo o presidente. Ele não é o general desta guerra, é mais um peão.

Quem é o general então?

pesquisador do comportamento humano, tendências e arte

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